1029. Fogo na B*#&§@.
Moçoila clara, alta, bem sacudida
Nos fundos do coletivo,
Com duas amigas:
To precisando de ser inTERNada
No (Hospital) Bom Retiro,
Pois olho esta garrafa
De água mineral
E me dá vontade
De enTORNar cachaça
Até cair.
Senhora respeitável no banco
Da minha frente com sua filha:
---Ouve bem esta estripolia,
Este espalhafato,
Esta algazarra,
Esta algaravia,
Este espalhabrasas,
Falando alto sem parar
Pra todo o ônibus
Pequeno pra tal gritaria?
É fogo na b*#&§@!...
--- U quê?... Retrucou o sério poeta,
Fransindo as sobrancelhas.
--- É fogo na b*#&§@!!... ...
--- U quêêêêê?... ...
--- Não compreendeu, não?
--- É fogo na b*#&§@!!!... ... ...
--- Ah! Ãh! Rãn Rãn!... ... ...
Pra mim mesmo?
Mas eu tão longe!
Mas ela já me viu?
Já ta me querendo?
Mas eu tão absorto
Em curtir minhas
Dores de amores!
Ainda lambendo as feridas,
De ressaca,
De dieta,
De canja de galinha,
Frutas, papinhas e mingau!
Mas valeu, minha
Trabalhadora senhora,
Na puritana Curita,
De siso até nos busão,
Eu gostoso ri,
Suspendendo meu siso.
Ainda hoje fogo tal
Encontrará um afogueado p!~§°
Que o alimente
E num corta-fogo
O afogueie
Numa chuva d’água?
©
®Gabriel da Fonseca.
™
-Às Amigas Reais e Virtuais. Um poema-crônica à la Dalton Trevisan.